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Conversando sobre adolescência

A Dra. Andrea Said, pediatra, fala sobre esta fase da vida cheia de mudanças


  Para começar a conversa é importante conhecer ou recordar alguns conceitos que às vezes são confusos. A puberdade é um período caracterizado por mudanças hormonais e físicas marcantes, delimitado, que dura em média três anos, com aparecimento e desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Nas meninas, começa geralmente entre os nove e dez anos (considerada normal entre 8 e 13 anos), com o surgimento das mamas, pelos pubianos e axilares, crescimento acelerado, com ganho de estatura e peso, chamado de “estirão do crescimento” e culmina com a primeira menstruação, chamada menarca. Também há depósito de gordura em locais característicos, fazendo com que o corpo adquira contornos tipicamente femininos.


   Nos meninos a puberdade se inicia em torno dos dez a onze anos (considerada normal entre 9 e 14 anos), com crescimento dos testículos, bolsa escrotal e pênis, aparecimento de pelos pubianos, axilares, corporais e faciais (barba), mudança da voz, aumento da massa muscular e primeira ejaculação (geralmente durante o sono). Também ocorre o estirão do crescimento, porém um pouco mais tardio que nas meninas
 
  Além de todas as mudanças corporais visíveis, há um processo invisível, mas extremamente impactante e complexo, com modificações neurobiológicas e psicossociais, afetando e transformando o jeito de pensar e entender o mundo, os desejos e o comportamento. O cérebro modifica sua arquitetura com uma grande poda neuronal e alterações químicas importantes. Concomitantemente, o córtex pré-frontal, responsável pela capacidade de reflexão, previsão de consequências, organização, planejamento e adiamento de recompensas, ainda está imaturo, pois é a última área a amadurecer, deixando o adolescente mais exposto a situações de risco e impulsivo. Essas mudanças são mais lentas e graduais, sofrem influências muito significativas do meio externo, família, escola, sociedade e cultura;  se iniciam juntamente com a puberdade, mas se prolongam além dela, até que o jovem esteja pronto para a vida adulta. Essa é a famosa ADOLESCÊNCIA.

  É desejável e saudável que adolescentes pensem por conta própria e discordem do pensamento dos pais, questionem a ordem estabelecida, argumentem, tenham aspirações, preferências e desejos diferentes dos pais, queiram privacidade e mais autonomia, se interessem e tenham curiosidades em relação a sexo, valorizem muito seus pares, grupos e se preocupem com a própria aparência, afinal, a mudança da imagem é enorme e as cobranças sociais são cruéis. É muito comum que tenham pensamentos e comportamentos ora mais  amadurecidos, ora mais infantis, pois estão no “meio do caminho”.

  Lidar com tudo isso e ainda ter todas as responsabilidades rotineiras é realmente um grande desafio para os pais. Algumas dicas somadas a sensibilidade e afeto ajudam muito, entre elas: tentar compreender e não desvalorizar as questões que geram angústia ao adolescente mesmo que pareçam irrelevantes;  estar disponível para dialogar sobre quaisquer assuntos com atenção, respeito e paciência; ouvir, ouvir e ouvir, mais do que falar; refletir antes de dar respostas e, se for preciso, pedir um tempo para elaborar uma resposta adequada; dar exemplos e agir de forma coerente com o discurso; explicar claramente as regras da casa e revê-las se necessário; optar pela negociação ao invés da imposição; deixar claro o que é inegociável, exemplos: estudar; colaborar nas tarefas da casa de forma flexível, equânime e responsável; avisar quando precisar chegar após o horário combinado; não beber bebidas alcoólicas antes da maioridade; não usar drogas ilícitas; limite de tempo e supervisão na internet e outras regras, dependendo dos valores e características de cada família. Lembrar que pais e cuidadores não são os “amiguinhos”, mas sim os educadores e protetores e devem dar gradualmente mais autonomia e liberdade, de acordo com a capacidade do adolescente de se cuidar adequadamente e demonstrar responsabilidade. Praticar a vigilância amorosa, sem ser invasiva; priorizar as questões importantes, relevando as pequenas e, acima de tudo, usar o BOM SENSO!   

   As transformações e oscilações no pensar e sentir, as dúvidas, angústias, temores e insegurança; em maior ou menor grau, variando conforme as características genéticas, vivenciais, história, relações afetivas, subjetividade de cada um e da habilidade dos adultos cuidadores para lidar com essas questões; configuram um contexto propício aos conflitos, dificuldade de dialogar e isolamento, podendo culminar com sofrimento, adoecimento psíquico, uso de substâncias, dificuldades escolares, gestações não planejadas e rupturas, cujas consequências para toda a família são imprevisíveis.

    Apesar desse intenso e complexo processo de amadurecimento ser comum a todos os adolescentes, cada adolescente é único, pois as variáveis envolvidas são inúmeras. Assim, são inadequadas as generalizações. Achar que todos os adolescentes são “aborrecentes”, revoltados, irresponsáveis, barulhentos, difíceis, “etcétera e tal” é a mesma coisa que achar que todos os adultos, por serem adultos, são maduros, responsáveis por seus atos, auto suficientes, educados, “resolvidos”... será verdade?

Este texto tem caráter educativo para esclarecimento e orientação dos pais.
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